Concílio Vaticano II : Sob o Signo da Alegria e da Esperança
Neste mês de outubro de 2012, exatamente no dia 11, se
completam 50 anos da inauguração oficial do Concílio Vaticano II, acontecida a
11 de outubro de 1962.
No dia 25 de janeiro de 1959 o papa João XXIII surpreendeu o
mundo com o anúncio do Concílio e desencadeou todo o processo conciliar.
A convocação se deu no dia 25 de dezembro de 1961. Com o
documento “Humanae Salutis”, o papa João XXIII, no natal de 1961, convocava o
Concílio, e estabelecia o ano de 1962 como o ano da abertura oficial do
Concílio. Não demorou muito para o papa escolher uma data bonita e simbólica: o
dia 11 de outubro, em que lembrava a conclusão do Concílio de Éfeso, acontecido
no ano 451.
Como os peregrinos sentiam alegria ao ver Jerusalém às
portas, depois de longa caminhada, assim foi naquele dia tão esperado, em que
finalmente começaria o Concílio proposto pelo papa João XXIII.
No Ano da Fé, convocado pelo papa Bento XVI, somos
convidados a descobrir quais foram os motivos de tanta alegria. E ver se
conseguimos também hoje, depois de 50 anos, reencontrar caminhos de esperança,
para a Igreja e para a humanidade.
Na abertura do Concílio, ficou famoso o discurso do papa
João XXIII. Ele transmitiu a certeza de que o Concílio era fruto de inspiração
divina, e que tinha chegado a hora da Igreja se renovar, se aproximar do mundo
de hoje, e se colocar a serviço da humanidade, com a qual queria assumir
solidariamente suas grandes causas, e a ela oferecer a luz do Evangelho.
Ele começou seu discurso com a bonita expressão: “Gaudet
Mater Ecclesia”, “Alegra-se a Mãe Igreja”. Foram as primeiras palavras do
Concílio.
Quatro anos depois, terminava o Concílio com as mesmas
palavras de alegria e de esperança. O último documento aprovado do Concílio foi
a constituição pastoral sobre a Igreja no mundo de hoje. Ele começa com as
palavras: “Gaudium et Spes”, “As alegrias e as esperanças”.
É significativa esta constatação. Entre o início e o fim do
Concílio, há uma coincidência especial. No começo, a alegria da Igreja que via
chegar o dia tão esperado. No final, esta mesma alegria, alargada para toda a
humanidade.
“Gaudet Mater Ecclesia”, e “Gaudium et Spes”. Alegria no
começo, alegria no final. Entre as duas manifestações, se realizou o Concílio.
Ele foi feito sob o signo da alegria e da esperança.
O preâmbulo do documento sobre a Igreja no mundo de hoje,
pode ser considerado o texto que melhor expressa o espírito e os propósitos do
Concílio. De todos os documentos aprovados, a Gaudet et Spes foi o único que
não estava previsto nos esquemas preparatórios. Ele surgiu ao longo das
discussões conciliares. Pode ser considerado como “filho legítimo” do Vaticano
II.
Assim começa a Gaudium et Spes: "As alegrias e as
esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos
pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças,
as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo...”
Mas permanece o desafio: como reencontrar motivos de alegria
e de esperança, mesmo em meio aos novos problemas que a realidade hoje nos
apresenta.
O exemplo do Concílio permanece válido. Ele começou e
terminou sob o signo da alegria e da esperança!
A Igreja cadencia sua história com a seqüência dos seus
concílios. Nós podemos medir nossa comunhão com ela pelo apreço que
demonstramos por seus Concílios!
Dom Mauro Montagnoli
Bispo diocesano de Ilhéus
Estamos em uma mudança de época que atinge não somente este ou aquele
aspecto concreto da existência mas os próprios critérios de compreender a vida,
tudo o que a ela diz respeito, inclusive o modo de entender Deus. Tantas vezes
o nome de Jesus Cristo é utilizado para expressar atitudes até mesmo opostas ao
Reino de Deus.
Para enfrentar este estado de coisas emergem algumas urgências na
evangelização que devem estar presentes em todos os processos de planejamento e
nos planos de pastoral das igrejas.
Os Bispos afirmam: “A Igreja no Brasil se empenhará em ser uma Igreja
em estado permanente de missão, casa de iniciação à vida cristã, fonte de
animação bíblica de toda a vida, comunidade de comunidades, a serviço da vida
em todas as suas instâncias” (Diretrizes Gerais da Ação Evangelzadora da Igreja
no Brasil – DGAE 2011-2015 n. 29). Esses aspectos estão sempre presentes na
vida da Igreja, pois se referem a Jesus Cristo, à Igreja, à vida comunitária, à
Palavra de Deus que junto com a Eucaristia são alimento para a fé e para a vida
plena com Deus. Por isso, todos os cristãos
católicos devem estar comprometidos com a vivência e a prática dessas
urgências.
“Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10)
resume toda a missão de Jesus e, por conseguinte, toda a missão da Igreja. Isso
implica em que todo cristão deve assumir atitudes que, através de práticas
concretas, ajudem a desabrochar e florescer a vida. “Em tudo isso, a Igreja
reconhece a importância da atuação no mundo da política e assim incentiva os
leigos e leigas à participação ativa e efetiva nos setores diretamente voltados
para a construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário” DGAE 2011-2015 n. 71).
Mas, não basta somente incentivar e impulsionar os fiéis leigos e
leigas à participação política. É preciso que eles e elas encontrem na Igreja o
apoio necessário para poderem cumprir plenamente com essa missão. A partir do
conhecimento da vida do candidato e da sua participação e compromisso com a sua
comunidade cristã paroquial e eclesial é preciso que as forçam se unam para
podermos ajudá-los a galgar postos na vida pública que possibilitem a implantação
dos valores Reino de Deus.
Neste ano de eleições precisamos conhecer bem a vida pregressa dos
candidatos, saber do seu compromisso com a vida das pessoas e com a comunidade
eclesial e dar-lhes o respaldo necessário.
Em meio a tantas propostas precisamos examinar bem quais correspondem
com os valores do Reino de Deus e apoiar quem sempre manifestou coerência na
sua opção de vida na igreja e na comunidade.
Reclamamos tantas vezes que políticos se aproveitam do bem público em
seu benefício próprio ou e grupos. Nas eleições temos a oportunidade de eleger
aqueles candidatos que realmente mostram com sua vida particular e pública o
comprometimento com a missão de Jesus.
Bons ou maus governantes é a gente que escolhe. Para o cristão católico,
participar da vida política do municipio e do país é viver o mandamento da
caridade como real serviço aos irmãos, conforme disse o Papa Paulo VI: “A
pólítica é uma maneira exigente de viver o compromisso cristão ao serviço dos
outros” (Octogesima Adveniens, 46).
Sabemos que o partido político é condição necessária para o exercício
do mandato. Mas, devemos também levar em consideração, em primeiro lugar, a
vida pessoal e compromisso eclesial do candidato ou candidata. O critério
fundamental, é, repito, o compromisso da pessoa com os valores do Reino de
Deus.
A ética social cristã não é opção para alguns, mas exigência para
todos. Ela é contribuição própria do cristão católico para a construção da
sociedade justa e solidária.
Dom
MAURO MONTAGNOLI
Bispo
diocesano de Ilhéus


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